agosto 27, 2018 Leonardo Goldim

Qual o valor das informações pessoais?

Vivemos em uma realidade de mercado em que os dados dos usuários representam um grande ativo. Informações como idade, localização, relacionamentos, interesses e histórico de busca são tratadas como bens, constituindo valor para os negócios de várias companhias.

Por exemplo, o Facebook é uma das empresas que melhor ilustram como o valor dos dados pessoais é mais importante do que muitos imaginam. Em 2017, a empresa de Mark Zuckerberg teve uma receita de mais de US$ 40 bilhões, baseada principalmente em seus mecanismos de publicidade – mecanismos estes que são baseados no conhecimento profundo das informações pessoais de seus usuários.

Com base neste exemplo, percebemos que a aquisição e o tratamento das informações pessoais representam uma nova ordem de valor no mercado, capaz de definir o rumo de uma empresa e seu marketing, tanto na estratégia de público, distribuição e aquisição de clientes.

Entretanto, nem todas as empresas vêem os dados coletados junto a seus clientes como um ativo, tão importante para o negócio quanto outras informações estratégicas da organização. E por não enxergar isso, talvez ainda não implementaram os mecanismos de gerenciamento e proteção adequados.

Podemos começar com uma informação prática. Conforme levantamentos de empresas especializadas em segurança da informação, apenas os dados básicos de um usuário, como nome, endereço, CPF e telefone, podem valer US$ 50 na deep web. Se levarmos em consideração que muitas empresas contam com listas com milhares de nomes, e não as protegem corretamente, ela pode perder muito dinheiro ao perder este patrimônio digital.

Captar os dados de potenciais clientes é uma mina de ouro para o marketing das empresas, que podem usar essas informações para atingir o público de formas mais assertivas com baixo custo. Por sua vez, muitos usuários ainda não sabem o “preço” pago por elas apenas ao inserir seus dados em um formulário em troca de um serviço, por exemplo. Afinal de contas, não existe almoço grátis.

Muitos usuários lembram da segurança da informação apenas em momento sensíveis da experiência online, como na hora de efetuar pagamentos com seu cartão de crédito ou checar seu internet banking. Entretanto, observar a segurança e entender o valor de suas informações pessoais parte dos menores detalhes e das informações mais básicas, pois todas estas constituem valor. Todo mundo coloca suas informações pessoais e da sua vivência pessoal no Facebook, por exemplo, mas nunca parou pra examinar o quão valiosa é a memória de sua vida, que está toda lá.

As empresas precisam estar mais atentas para a segurança dos dados de seus usuários, levando em conta o valor real que elas representam para a organização como um todo, e não apenas meios para um fim.

Com base nisso, as empresas não apenas terão melhores processos internos e atenderão à necessidades de compliance como a nova lei de proteção dos dados aprovada pelo Senado, mas também terão uma nova perspectiva para o negócio, protegendo e tratando com responsabilidade seus valiosos ativos, e com isso ganhando diferenciais competitivos.

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